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Análise

A empresa brasileira controla o que já vendeu e adivinha o que vai vender

Três em cada quatro empresas grandes do país têm sistema para organizar o que já aconteceu. Pouco mais da metade tem sistema para organizar o que ainda vai acontecer.

Por Redação ELEX IntelligenceRevisão de Abner Macedo4 min de leitura
ERP, o que já entrou76%
CRM, o que vai entrar56%

Empresas com 250 pessoas ocupadas ou mais, por sistema em uso. Cetic.br, TIC Empresas 2025.

Setenta e seis por cento das empresas brasileiras com 250 pessoas ou mais usam ERP, o sistema que amarra estoque, nota fiscal e financeiro. Cinquenta e seis por cento usam CRM, o sistema que amarra cliente, proposta e funil. São vinte pontos de diferença dentro da mesma empresa, e a distância cresce conforme a empresa cresce. A conta que ela fechou primeiro foi a do dinheiro que entrou; a do dinheiro que ainda vai entrar ficou para depois.

Setenta e seis por cento das empresas brasileiras com 250 pessoas ou mais usam ERP, o sistema que amarra estoque, nota fiscal, financeiro e contabilidade. Cinquenta e seis por cento usam CRM, o sistema que amarra cliente, proposta e funil de venda.

São vinte pontos de diferença dentro da mesma empresa. E ela não é pequena, não é desorganizada e não tem problema de dinheiro: é uma companhia de 250 pessoas ou mais que já decidiu investir em software.

A conta que ela fechou primeiro foi a do dinheiro que entrou. A do dinheiro que ainda vai entrar ficou para depois.

Quanto maior a empresa, maior a distância

Porte da empresaERPCRMdistância
10 a 49 pessoas32%29%3
50 a 249 pessoas58%41%17
250 ou mais76%56%20

Na empresa pequena os dois números são baixos e quase iguais. Ela não organizou nem uma coisa nem outra, e nisso pelo menos há coerência.

O descompasso aparece quando a empresa cresce. A partir de cinquenta pessoas, ela resolve o back-office e deixa o comercial para trás. Aos 250, a diferença chega a vinte pontos: uma em cada cinco dessas empresas tem sistema para controlar a nota fiscal e não tem sistema para controlar a venda que gerou a nota.

O ano em que a conta começou a virar

A adoção de CRM saiu de 25% para 31% entre 2024 e 2025. Seis pontos em doze meses, o maior salto da série.

Só que a série não é uma linha subindo. Em 2023 o número era 28%, caiu para 25% em 2024 e subiu para 31% em 2025. Comparando as pontas, são três pontos em dois anos, e não seis em um.

AnoTotal10 a 4950 a 249250+
202328%26%36%48%
202425%23%38%50%
202531%29%41%56%

O que sobe sem oscilar é a coluna da direita. As empresas de 250 pessoas ou mais foram de 48% para 56% em dois anos, sem recuo. As de 10 a 49 foram de 26% para 29%, com um tombo no meio do caminho.

A distância entre as duas cresceu. Eram 22 pontos em 2023 e são 27 agora. Quem já estava na frente acelerou, e quem estava atrás andou de lado antes de andar para frente.

Comprar a ferramenta não é o mesmo que resolver o problema

Um CRM mal implantado costuma terminar em um de dois lugares. Vira agenda morta, que só registra o que já aconteceu, ou dashboard decorativo, que todo mundo abre na segunda e ninguém usa para decidir nada. Nos dois casos a empresa comprou o software e não comprou a mudança, e o CRM entra na conta de custo em vez da conta de receita.

O sintoma clássico de quando a ferramenta chega antes do processo é a reunião em que cada área traz um número diferente: marketing comemora lead barato, vendas reclama da qualidade do mesmo lead, o pós-venda recebe cliente que nunca teve encaixe, e a diretoria cobra previsibilidade em cima de dados que ninguém confia.

Vale registrar um número que quase ninguém comenta. Em 2025, além dos 64% que responderam não usar CRM, 5% não souberam dizer se a empresa usava ou não. Quem responde à pesquisa é a pessoa responsável pela área de tecnologia. Se ela não sabe dizer se existe um CRM, a leitura prática é que, se existe, ninguém está usando.

O que fazer nesta semana

Nenhuma das três exige comprar nada, e a ordem importa.

Escreva as etapas do seu funil num papel, antes de olhar qualquer software. Se elas não couberem no papel, não vão caber no sistema. Ferramenta não cria processo, ela só acelera o que já existe, inclusive a bagunça.

Conte, sem abrir nada, quantos negócios em aberto você tem agora. Se você não souber de cabeça e não tiver onde olhar, esse já é o diagnóstico, e ele não custou nada.

Pegue os últimos dez negócios perdidos e escreva ao lado de cada um em que etapa ele morreu. Se todos morreram por preço, o problema não é preço: é que ninguém registrou onde eles morreram de verdade.

Decisão

Antes de escolher qualquer sistema, escreva as etapas do seu funil num papel. Se não couberem no papel, não vão caber no software. Depois disso, conte quantos negócios em aberto existem agora sem abrir nada: se você não souber e não tiver onde olhar, esse é o diagnóstico, e ele não custou nada. Por último, pegue os dez últimos negócios perdidos e escreva em que etapa cada um morreu. Se todos morreram por preço, o problema não é preço; é que ninguém registrou onde eles morreram de verdade.

Como aplicar

As três ações acima são executáveis nesta semana, sem contratar ninguém e sem comprar nada. A ordem importa: processo escrito, depois medição do estoque atual, depois autópsia do que se perdeu. Ferramenta não cria processo; ela acelera o que já existe, inclusive a bagunça.

O que ainda não sabemos

Não sabemos se as empresas que adotaram CRM tiveram melhora de resultado comercial: a pesquisa mede adoção, não efeito. Não sabemos quanto da função de CRM está embutida dentro de ERP e escapa da contagem. Não sabemos o que acontece nas empresas de menos de dez pessoas, que são a maioria e não são medidas. E não sabemos se a queda de 2024 foi movimento real ou variação da amostra, porque a margem de erro por indicador não é publicada na tabela.

Alegações e evidências

Em 2025, 76% das empresas brasileiras com 250 pessoas ocupadas ou mais usavam ERP e 56% usavam CRM, uma distância de 20 pontos.

Evidência, Fato, confirmado
Fonte
TIC Empresas 2025: pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação entre as empresas brasileiras · Cetic.br | NIC.br (CGI.br)
Nível
A, fonte primária
Evidência
“Indicador G2 (ERP), 2025, faixa de 250 pessoas ocupadas ou mais: Sim 76%, Não 19%, Não sabe 5%. Indicador G3 (CRM), mesmo ano e mesma faixa: Sim 56%, Não 38%, Não sabe 6%.” (Cetic.br, TIC Empresas 2025, tabelas dos indicadores G2 e G3, linha "De 250 pessoas ocupadas ou mais". https://cetic.br/pt/tics/pesquisa/2025/empresas/G2/ e https://cetic.br/pt/tics/pesquisa/2025/empresas/G3/)
Contraponto
ERP e CRM não são substitutos e a comparação direta tem limite: parte do ERP é obrigação fiscal e contábil, o que cria pressão de adoção que o CRM não sofre. A leitura da peça é justamente essa, e não que uma ferramenta seja melhor que a outra. Vale registrar também que algumas suítes de ERP incluem módulo comercial, e uma empresa pode ter função de CRM dentro do ERP e responder "não" ao G3.
Checado
7 de agosto de 2026

A distância entre adoção de ERP e de CRM cresce com o porte da empresa: é de 3 pontos nas de 10 a 49 pessoas, 17 pontos nas de 50 a 249 e 20 pontos nas de 250 ou mais.

Evidência, Fato, confirmado
Fonte
TIC Empresas 2025: pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação entre as empresas brasileiras · Cetic.br | NIC.br (CGI.br)
Nível
A, fonte primária
Evidência
“Indicadores G2 e G3, 2025, respostas "Sim" por faixa. De 10 a 49 pessoas: ERP 32%, CRM 29%. De 50 a 249: ERP 58%, CRM 41%. De 250 ou mais: ERP 76%, CRM 56%.” (Cetic.br, TIC Empresas 2025, tabelas G2 e G3, três linhas de porte. https://cetic.br/pt/tics/pesquisa/2025/empresas/G2/ e https://cetic.br/pt/tics/pesquisa/2025/empresas/G3/)
Contraponto
A distância pequena na faixa de 10 a 49 pessoas não indica equilíbrio: os dois indicadores são baixos ali, 32% e 29%, e a maior parte dessas empresas não tem nenhum dos dois. Ler a proximidade como maturidade seria inverter o sentido do dado.
Checado
7 de agosto de 2026

O uso de CRM no Brasil não subiu de forma contínua: era 28% em 2023, caiu para 25% em 2024 e chegou a 31% em 2025. São 3 pontos entre as pontas, e não os 6 do último ano isolado.

Evidência, Fato, confirmado
Fonte
TIC Empresas 2025: pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação entre as empresas brasileiras · Cetic.br | NIC.br (CGI.br)
Nível
A, fonte primária
Evidência
“Indicador G3, resposta "Sim", total de empresas: 28% em 2023, 25% em 2024, 31% em 2025.” (Cetic.br, tabelas do indicador G3 por ano. https://cetic.br/pt/tics/pesquisa/2023/empresas/G3/ , https://cetic.br/pt/tics/pesquisa/2024/empresas/G3/ e https://cetic.br/pt/tics/pesquisa/2025/empresas/G3/)
Contraponto
A queda de 2023 para 2024 pode ser variação amostral e não movimento real do mercado. A tabela consultada não publica margem de erro por indicador, então a peça não afirma que houve retração: afirma que a série oscila, o que é o que o dado permite dizer. É também por isso que a leitura usa a diferença entre as pontas em vez do salto do último ano.
Checado
7 de agosto de 2026

A distância no uso de CRM entre empresas grandes e pequenas aumentou de 22 para 27 pontos entre 2023 e 2025.

Evidência, Fato, confirmado
Fonte
TIC Empresas 2025: pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação entre as empresas brasileiras · Cetic.br | NIC.br (CGI.br)
Nível
A, fonte primária
Evidência
“Indicador G3, resposta "Sim". Em 2023: 48% na faixa de 250 ou mais e 26% na de 10 a 49, diferença de 22 pontos. Em 2025: 56% e 29%, diferença de 27 pontos.” (Cetic.br, tabelas do indicador G3 de 2023 e 2025, linhas "De 10 a 49" e "De 250 pessoas ocupadas ou mais". Consultas reproduzíveis: https://cetic.br/pt/tics/pesquisa/2023/empresas/G3/ e https://cetic.br/pt/tics/pesquisa/2025/empresas/G3/)
Contraponto
Cinco pontos de aumento em dois anos, sem margem de erro publicada por faixa, é um movimento pequeno para sustentar tendência. A peça o apresenta como o que é, uma diferença entre dois pontos no tempo, e não como trajetória projetável.
Checado
7 de agosto de 2026

Em 2025, 5% dos respondentes não souberam dizer se a própria empresa usava CRM, além dos 64% que responderam não usar.

Evidência, Fato, confirmado
Fonte
TIC Empresas 2025: pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação entre as empresas brasileiras · Cetic.br | NIC.br (CGI.br)
Nível
A, fonte primária
Evidência
“Indicador G3, 2025, total de empresas: Sim 31%, Não 64%, Não sabe 5%, Não respondeu 0%.” (Cetic.br, TIC Empresas 2025, tabela do indicador G3, linha "Total de empresas". https://cetic.br/pt/tics/pesquisa/2025/empresas/G3/)
Contraponto
Não saber responder não é o mesmo que não existir a ferramenta. Em empresa grande, quem responde pode não ter visibilidade sobre todas as áreas. A leitura da peça sobre isso está marcada como interpretação, não como achado da pesquisa.
Checado
7 de agosto de 2026

A pesquisa cobre empresas com dez pessoas ocupadas ou mais, e 93,41% das empresas brasileiras têm menos do que isso.

Evidência, Fato, confirmado
Fonte
Cadastro Central de Empresas, tabela 7528: empresas e outras organizações, pessoal ocupado e salários, por faixas de pessoal ocupado · IBGE
Nível
A, fonte primária
Evidência
“CEMPRE, tabela 7528, 2024: a faixa de 0 a 4 pessoas ocupadas responde por 85,04% das empresas e a de 5 a 9 por 8,37%, somando 93,41%. A TIC Empresas declara população-alvo de empresas brasileiras ativas com 10 pessoas empregadas ou mais.” (IBGE, SIDRA tabela 7528, classificação 319, consulta reproduzível em https://apisidra.ibge.gov.br/values/t/7528/n1/all/v/2585,707,662/p/last%201/c319/all Metodologia da TIC Empresas no documento de lançamento, seção Metodologia, campo População-alvo.)
Contraponto
O recorte não é falha da pesquisa: pesquisa domiciliar por telefone com empresas de menos de dez pessoas tem custo e erro amostral muito maiores, e o padrão internacional da ITU usa corte parecido. A ressalva existe para o leitor não se comparar com um número que não o inclui, e não para desqualificar o levantamento.
Checado
7 de agosto de 2026

Transparência

Fontes
2 no total · 2 primárias
Uso de IA
Nenhum uso material de IA nesta peça.
Correções
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